Defina os seus objetivos de RTO (Recovery Time Objective) e RPO (Recovery Point Objective) antes de qualquer outra ação. O RTO determina o tempo máximo aceitável de inatividade do seu sistema, enquanto o RPO estabelece a quantidade máxima de dados que pode perder-se num incidente. Por exemplo, um RTO de 4 horas e um RPO de 15 minutos exigem uma estratégia de backup muito mais agressiva e automatizada do que metas de 24 horas e 12 horas, respetivamente. Estes números são a base para todas as decisões técnicas e financeiras do seu plano.
A continuidade de negócio depende de uma contingência robusta que vá além de uma simples cópia de dados. Um ataque de ransomware que cifra servidores inteiros demonstra que um backup acessível online pode ser também comprometido. A segurança do seu processo de recuperação é crítica: implemente a regra 3-2-1 (três cópias, em dois meios diferentes, uma das quais offline ou imutável) e teste regularmente a restauração dos dados. A resposta a incidentes cibernéticos deve incluir a capacidade de reverter para uma infraestrutura limpa sem pagar resgates.
Este guia apresenta uma metodologia para desenvolver um plano de recuperação de desastres que integra equipas de TI e negócio. A estratégia deve detalhar procedimentos específicos para diferentes cenários de risco, desde uma falha num único servidor até a uma paralisação completa do data center. O foco está na ação prática, fornecendo os passos para documentar, comunicar e simular desastres de forma a garantir que a sua organização está verdadeiramente preparada.
Definir Objetivos de Recuperação Mensuráveis: RTO e RPO
Estabeleça métricas claras para o seu plano de recuperação de desastres digitais, focando no Objetivo de Tempo de Recuperação (RTO) e no Objetivo de Ponto de Recuperação (RPO). O RTO determina o tempo máximo aceitável de indisponibilidade de um sistema após um incidente, por exemplo, 4 horas para o servidor de email. O RPO define a quantidade máxima de dados que a empresa pode perder, como uma perda máxima de 15 minutos de transações de base de dados. Estes valores são a base para qualquer estratégia de contingência, orientando a frequência de backup e os recursos alocados para a resposta a incidentes.
Estratégias de Backup e Continuidade
Implemente a regra 3-2-1 para backup: tenha pelo menos três cópias dos dados, em dois tipos de mídia diferentes, com uma cópia armazenada fora das instalações (off-site). Para dados críticos, considere soluções de replicação síncrona que oferecem um RPO próximo de zero. A equipa de TI deve testar a restauração de backups regularmente, assegurando que os procedimentos de recuperação funcionam conforme planeado e que o tempo total de recuperação (RTO) é cumprido. Esta prática é um pilar fundamental para a continuidade de negócios.
Integração com a Cibersegurança
O plano de resposta a incidentes de segurança deve estar intrinsecamente ligado ao plano de recuperação de desastres. Um ataque de ransomware, por exemplo, é simultaneamente um incidente de cibersegurança e um desastre digital. A estratégia de contingência deve incluir procedimentos específicos para isolar sistemas infetados, erradicar a ameaça e, só depois, iniciar a recuperação a partir de backups limpos. Esta abordagem coordenada entre as equipas de segurança e de TI minimiza o tempo de inatividade e protege a integridade dos dados.
Documente todos os procedimentos num guia operacional acessível, detalhando contactos, hierarquias de decisão e checklists para ativação do plano. Realize simulações de desastres cibernéticos pelo menos duas vezes por ano para validar a eficácia do plano e treinar a equipa de resposta. Esta preparação proativa transforma um plano documentado numa capacidade organizacional robusta para lidar com crises.
Identificando Ativos Críticos
Elabore uma lista de todos os sistemas, dados e equipamentos, classificando cada um com um nível de criticidade: Crítico, Alto, Médio ou Baixo. Um sistema de pagamentos online é Crítico, enquanto um servidor de intranet para notícias internas pode ser Baixo. Esta lista é a base para definir a sua estratégia de backup e recuperação.
Para cada ativo classificado como Crítico ou Alto, determine os seguintes parâmetros operacionais:
- RTO (Recovery Time Objective): O tempo máximo aceitável de indisponibilidade. Um RTO de 4 horas exige soluções mais robustas do que um RTO de 48 horas.
- RPO (Recovery Point Objective): A quantidade máxima de perda de dados suportável. Um RPO de 15 minutos exige backups frequentes, quase em tempo real.
Estes valores orientam a seleção de tecnologias e o investimento no seu plano de contingência.
Documente as dependências entre ativos. A recuperação de uma base de dados de clientes (Crítico) pode depender de um servidor de autenticação específico (Crítico) e de uma ligação de rede dedicada. Mapear estas relações previne falhas em cadeia durante a resposta a incidentes e assegura uma recuperação ordenada.
Atribua um proprietário para cada ativo crítico. Esta pessoa é responsável por validar os procedimentos de backup, aprovar os RTO e RPO, e tomar decisões durante a ativação do plano. Esta responsabilização direta é vital para a continuidade dos negócios perante desastres cibernéticos.
Definindo Objetivos de Recuperação
Estabeleça métricas quantificáveis para orientar a sua estratégia de recuperação. O RPO (Objetivo de Ponto de Recuperação) determina a quantidade máxima de perda de dados aceitável, medida em tempo. Por exemplo, um RPO de 2 horas exige backups no mínimo a cada 2 horas, limitando a perda de dados a esse período. Esta métrica define diretamente a frequência do seu plano de backup.
Métricas Operacionais para a Continuidade
O RTO (Objetivo de Tempo de Recuperação) é o tempo máximo tolerável de indisponibilidade de um sistema. Um servidor de email com RTO de 4 horas deve ser restaurado dentro desse prazo. Estes objetivos, RPO e RTO, são o alicerce para a priorização de recursos na resposta a incidentes e para a seleção de tecnologias de contingência.
Da Teoria à Prática na Estratégia
Classifique os ativos com base no seu impacto nos negócios para atribuir RTO e RPO realistas. Um sistema de pagamentos online pode ter um RTO de minutos e um RTO próximo de zero, exigindo soluções de alta disponibilidade. Um sistema de arquivo de documentos, menos crítico, pode tolerar um RTO de 24 horas. Esta análise de risco permite um investimento eficaz em cibersegurança e infraestrutura de recuperação.
Integre estes objetivos no seu guia de resposta a incidentes cibernéticos. Teste regularmente o plano de recuperação através de simulações que validem a capacidade de cumprir os RTO e RPO definidos. Esta prática expõe lacunas e garante que a equipa de TI está preparada para executar a estratégia de continuidade perante desastres reais.
Estabelecendo Procedimentos de Ação
Defina um RTO (Objetivo de Tempo de Recuperação) máximo de 4 horas para servidores de email e 2 horas para dados de clientes, baseando a estratégia de backup nestes valores. Um RTO agressivo exige backup incremental a cada 4 horas com réplicas em locais geograficamente dispersos. Para sistemas com RTO inferior a 1 hora, considere a replicação síncrona em tempo real, assegurando a continuidade das operações vitais.
Ativação e Comando da Resposta
Acione o plano de contingência imediatamente após a confirmação de um incidente de segurança, como um ataque de ransomware que cifre mais de 30% dos estações de trabalho. O Centro de Operações de segurança (SOC) assume o comando inicial, notificando a equipa de resposta a incidentes cibernéticos num prazo de 15 minutos. Esta equipa segue um guia de escalonamento pré-definido que inclui a Autoridade Nacional de Cibersegurança portuguesa, em conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados.
Isole segmentos de rede críticos através de regras de firewall pré-configuradas para conter a propagação de ameaças. Execute scripts automatizados para desativar contas de utilizador comprometidas e redirecione o tráfego para um ambiente de contingência. A equipa de TI deve iniciar a recuperação de dados a partir dos últimos backups validados, priorizando os ativos com o RTO mais curto. Documente cada ação para uma análise pós-incidente e para refinamento futuro do plano de recuperação de desastres.
Validação Pós-Recuperação
Após a recuperação, valide a integridade dos dados restaurados e a funcionalidade dos sistemas antes de repor o tráfego de produção. Realize testes de penetração controlados nos sistemas recuperados para detetar vulnerabilidades residuais. Esta fase é crítica para mitigar o risco de um segundo ataque e garante que a estratégia de resposta a desastres cumpriu os seus objetivos operacionais.
